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Registro
75 anos

História de Registro - SP

Registro fica na Mesorregião do Litoral Sul Paulista, no Estado de São Paulo, a sudoeste da Capital, distante 191 km, no Vale do Ribeira. O clima é classificado como subtropical úmido. A cidade era um centro de fiscalização do ouro explorado no Alto Ribeira, no século XVII. Era o Porto de Registro de Ouro. O povoado cresceu, se desenvolveu-se e passou a ser conhecido, em 1934, como Distrito de Paz de Registro, e, em 1945, oficialmente tornou-se município de Registro.


Registro possui cerca de 80 bairros distribuídos em 722,411 quilômetros quadrados de área. Em 2014, sua população estimada em 2017 é de 56.430 habitantes. A diversidade cultural e econômica e a concentração populacional fazem com que Registro seja conhecida como "Capital do Vale do Ribeira", ou também como "Capital do Chá", em alusão a um dos principais produtos exportados pelo município, principalmente até meados da década de 1990 e agora retomado.

Conforme Decreto nº 50.652 (de 30 de março de 2006), o município é oficialmente Marco da Colonização Japonesa no Estado de São Paulo porque teria sido a primeira localidade a receber imigrantes japoneses interessados em investir em produção própria no Estado de São Paulo. O Conjunto Iguape (colônias de Registro, Sete Barras e Katsura ou Giporuva) foi cronologicamente a primeira grande colônia formada por japoneses no Brasil, e também, a primeira entre as colônias fundadas por capital privado nipônico.

Localizam-se no município bens culturais da imigração japonesa que serão preservados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN): Sede da Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha, antigas fábricas de chá e residências de primeiros colonos japoneses, as Igrejas Episcopal Anglicana e de São Francisco Xavier e as primeiras mudas de chá da variedade Assam. Em vários pontos da cidade de Registro estão instaladas esculturas do artista plástico Yutaka Toyota confeccionadas com material das antigas fábricas de chá e dos armazéns e do engenho de beneficiamento de arroz.


Ciclo do ouro
O nascimento do povoado de Registro está relacionado à procura de ouro por meio de vias fluviais no rio Ribeira de Iguape. As primeiras jazidas de ouro do Brasil foram descobertas na região do Médio Ribeira no século XVII. Durante este ciclo do ouro, o povoamento avançou para o interior, subindo o curso do Rio Ribeira de Iguape. O ouro de lavagem na sub-bacia do Alto Ribeira, garimpado em Xiririca (atual cidade de Eldorado) nos rios Pedro Cubas, Taquari e afluentes, e em Sete Barras nos rios Etá, Quilombo e Ipiranga (entre outros) era transportado em canoas e fiscalizado no porto fluvial adjunto à casa do Fisco à margem direita do rio Ribeira de Iguape nas terras da vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape (localizada no porto marítimo que originou a atual cidade de Iguape). O povoado que habitava o porto de registro do ouro originou a sede atual de Registro.

Todas as mercadorias eram revistadas e registradas por um agente de Portugal para cobrar o dízimo da Coroa Portuguesa. Por ser o centro do registro do ouro que ia para Portugal e articulador da produção que viajava de Iporanga até os navios do antigo porto de Iguape, ficou conhecido com o nome Porto de Registro de Ouro. Periodicamente o quinto era enviado à Casa da Moeda (ou Casa dos Contos) na vila, onde era fundido e cunhado. A exploração do mineral no Vale do Ribeira entrou em decadência com a exploração indiscriminada e com a descoberta de jazidas de ouro nas Minas Gerais e em Goiás.

Imigração Japonesa
Em 8 de março de 1912, uma assembleia paulista selou contrato de doação de 50 mil hectares de terra não-cultivada de propriedade do Estado na região de Iguape, sem ônus, ao Tōkyō Syndicate (Sindicato Tóquio), que a repassou a famílias que se disporiam a emigrar do Japão e a radicar-se definitivamente no Brasil. Em março de 1913 foi constituída a empresa de colonização Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha (Sociedade Colonizadora do Brasil/BTKK), que sucedeu o Sindicato Tóquio neste contrato de assentamento. Após fundar a Colônia Iguape, em 1919 a BTKK sofreu fusão com a Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (Companhia Ultramarina de Empreendimentos S.A./KKKK).

Filial da Companhia Imperial Japonesa de Imigração, a KKKK atuou de 1912 a 1937 na gestão e na infraestrutura das colônias de japoneses em diversos países. Foi responsável pelo estabelecimento de mais de 450 famílias na colônia de Registro, onde foi autorizada a funcionar a partir de 1918 com sede no Casarão do Porto. O primeiro ingresso de colonos japoneses em Registro ocorreu em 1917 (quatro famílias). As primeiras 30 famílias chegaram ao povoado da Colônia Iguape em novembro de 1913. Em 1917, o número de famílias japonesas já chegava a 1.060, totalizando 5.121 pessoas na Colônia, a maioria em Registro.

Neste período, Registro tornou-se o maior produtor de arroz do Estado de São Paulo e possuía instalações de armazenamento e beneficiamento do cereal, produzido por cultura irrigada. Além do arroz, os imigrantes japoneses também estão relacionados com o cultivo do chá e do junco, importantes culturas econômicas de Registro.

Em 1919, o imigrante Torazo Okamoto chegou a Registro. Três anos depois, obteve sementes de chá chinês (Thea assamica Mast) em São Paulo e começou a plantação, visando o consumidor japonês de chá verde. Em 1934, com o objetivo de produzir chá preto para o consumidor brasileiro, Torazo trouxe do Ceilão (atual Sri Lanka) algumas sementes de chá-da-índia da variedade assam. As mudas conseguidas por Torazo foram matrizes do chá ainda produzido em Registro.

O imigrante Shigeru Yoshimura trouxe, em 1931, algumas mudas de Juncus deeipens Nakai de Okayama (região de Chugoku, na ilha de Honshu, no Japão) para Registro. Três anos depois trouxe o tear apropriado para a confecção de esteiras. Devido à grande produção, instalou-se em 1955 a primeira e única fábrica da América Latina que confecciona o tatame artesanal (tipo de colchonete utilizado na prática de artes marciais).

Economia
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011 seu Produto Interno Bruto (PIB) foi de R$ 1.086.204.000,00, sendo que a maior contribuição provém do setor de Serviços (73%), seguido de Administração Pública (12%), Indústria (8%) e Agropecuária (7%).


Fonte: Fundação Seade. 2012

Participação dos Empregos Ocupados de cada setor no Total de Empregos Ocupados (%):

    - Serviços: 43,6

    - Comércio Atacadista e Varejista e Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas: 28,4

    - Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura: 9,5

    - Indústria: 13,0

    - Construção: 5,5

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Relação Anual de Informações Sociais (Rais). 2011

O Polo Regional de Registro é responsável por mais de 50% da produção de banana no Estado de São Paulo (sendo esta a unidade da federação que mais produz tal fruto).

Registro é pioneiro na plantação de chá em toda a América Latina. A cultura do chá-da-índia - Camellia sinensis (L.) Kuntze - no Brasil concentra-se na região do vale do Ribeira, principalmente nos municípios de Registro e Pariquera-Açu. Os principais países importadores do chá preto de Registro são Reino Unido, Alemanha, Holanda, Estados Unidos e Chile. Como 90% da produção de chá preto é exportada, a remuneração do dólar também afeta diretamente o preço pago pelo produto e os consequentes rendimentos das fábricas. Os preços recebidos pelo produto brasileiro no mercado internacional, para onde se destina a maior parte da produção, mostraram-se crescentes, de 1996 a 1998 (período em que a moeda brasileira esteve valorizada) e decrescentes de 1999 a 2002 (período de desvalorização do real). A instabilidade das condições climáticas e as chuvas irregulares também estimularam muitos produtores a reduzir ou até mesmo a extinguir a produção.[11]

A cidade é conhecida também pelo plantio de junco e pela confecção de artefatos produzidos com esse material (esteiras, sacolas, jogos americanos e chinelos de palha com solado de borracha, entre outros produtos). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) possibilitou a união dos produtores para a confecção de novos produtos derivados de junco, como bolsas, mochilas, pastas, almofadas, tapetes, sandálias, chapéus, viseiras, jogos americanos, caixas, cestos, almofadas e pufes, esteiras de tatame caneladas, com travesseiros, bolsos, dobráveis e para a prática de ioga.

Levantamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada (CATI) realizado em 1998 mostrava que Registro era o município que mais produzia arroz no vale do Ribeira. Essa cultura ocupava 630 hectares no município naquele ano.


Além do plantio de plantas ornamentais e da pupunha, a criação de búfalos tem se mostrado um negócio de sucesso e o município já produz muçarela orgânica certificada.

Principal centro comercial da região do vale do Ribeira, Registro apresenta galerias comerciais, filiais de redes de comércio e revendedoras de veículos automotivos. Seu Distrito Industrial possui capacidade para até quinze indústrias em uma área de 240 mil metros quadrados. Oito indústrias estão em funcionamento e outras cinco estão em fase de instalação no parque industrial do município. As empresas em atividade produzem purê de banana, confecções, muçarela de búfala, esquadrias de madeira, artes em concreto, reciclagem e cromação.

Feiras
Feira do Produtor Aos domingos, das 6h às 11h no Centro, às terças-feiras, das 16h às 19h30min na Vila Ribeirópolis e às quintas-feiras, das 16h às 19h30min na Vila Fátima, a Associação dos Produtores Feirantes de Registro (AFPR) atrai parte da população com a venda de diversos produtos, destacando-se hortaliças, peixes, aves, plantas ornamentais, artesanatos, além de lanches orientais (obentôs de sushi, inarizushi, tempurá, onigiri, yaki-manju), pratos típicos caiçaras e ribeirinhos (coruja, bolos, tortas), salgados (pastel e bolinhos) e bebidas, como caldo de cana e suco de laranja.

Feira de Produtos Orgânicos e Apícolas Ocorre todos os sábados, das 9h às 12h no estacionamento ao lado do Paço Municipal Prefeito Josino Silveira. É organizada pela Associação de Produtos Orgânicos do Vale do Ribeira (Aovale), que comercializa verduras, legumes, frutas, temperos, frango e ovos caipiras e até cachaça orgânica. A Associação dos Apicultores do Vale do Ribeira (Apivale) também participa dessa feira.

Turismo
No município há alternativas de passeio rurais, onde se podem praticar cavalgadas e pesca amadora e esportiva. Pode-se visitar a Estação Experimental de Zootecnia de Registro, no Instituto de Zootecnia, onde é desenvolvida a criação de búfalos. Existe, ainda, o projeto para construção de um museu do chá no município. Na zona rural é possível observar a influência dos japoneses na concepção arquitetônica das residências. Entre as opções de passeio e recreação estão o bosque municipal e as praças públicas:[12]

    - O Bosque Municipal Torazo Okamoto é um local arborizado com trilhas e palco para apresentações artísticas. É cortado pelo Rio Carapiranga.

    - A Praça dos Expedicionários possui chafariz, área coberta e lanchonete. Apresenta espaço para realização de eventos e feiras e para prestação
      de serviços à população. Sediava a Rodoviária Municipal e foi reformada no final da década de 1990. Em 2008 recebeu uma escultura do artista plástico Yutaka Toyota.

    - A arquitetura japonesa da Praça Cidade de Nakatsugawa remete à cidade-irmã e foi construída no ano da celebração do convênio entre as duas
      cidades (1980) e passou por reformas por ocasião das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa em 2008.

    - O "Parque Prefeito José de Carvalho", a popular "Praça Beira Rio", situada às margens do Rio Ribeira, tem como opções de lazer: ciclovia,
      pista de skate, área de recreação infantil. Há ainda o Monumento às Vítimas do Rio Ribeira de Iguape, local de celebração do culto religioso que antecede o Tooro Nagashi.

Na Praça Beira Rio, no local onde se encontrava uma árvore guaracuí - Andira anthelmia (Vell.) J.F. Macbr., um dos símbolos do município - foi instalada uma obra também denominada Guaracuí (uma flor estilizada de 7m de altura, em aço) que a artista plástica Tomie Ohtake doou em 2002 ao município em homenagem aos imigrantes japoneses.

Ainda na Praça, o Centro de Educação e Cultura KKKK, conhecido também como antigo Casarão do Porto, é um conjunto constituído de engenho de beneficiamento de arroz e quatro armazéns que começou a ser construído em 1919 pela KKKK à margem direita do Rio Ribeira de Iguape. O estilo inglês típico do início do século XX foi favorecido pela produção abundante de telhas e de tijolos de barro na região.

Devido à sua importância histórica e arquitetônica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) tombou o prédio do KKKK em 1987. A Prefeitura de Registro desapropriou o conjunto arquitetônico e o declarou como de utilidade pública, pelo decreto nº174 de 1990, repassando-o em 1996 à Secretaria da Educação para um projeto em conjunto. Em 1999 iniciou-se a restauração do conjunto por uma empresa especializada, mantendo características originais. O Centro de Educação e Cultura abriga atualmente:

    - O Anfiteatro, local de realização de eventos públicos e espetáculos teatrais;

    - O Polo de Capacitação de Educadores, planejado para abrigar cursos de capacitação profissional e Oficinas;

    - O Projeto Guri, desenvolvido desde 1995 pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo para "desenvolver as habilidades e potencialidades
      de crianças e adolescentes de áreas culturalmente carentes através da música, reconhecendo esta arte como agente de fortalecimento na construção
      da cidadania" formando "corais infantis, conjuntos de violões e outros agrupamentos instrumentais";

Os admiradores da arquitetura oriental podem visitar o Templo Budista Honpa Hongwanji (Templo do Juramento Universal de Amida, o Buda da Terra Pura do Oeste), construído em 1967, e o Bunkyo, sede da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro, situado na Praça da Integração Brasil-Japão. Nessa praça foi instalada uma das esculturas comemorativa do centenário da imigração japonesa no Brasil do artista plástico Yutaka Toyota. "Portal do Sol" é inspirada nas antigas máquinas de beneficiamento de arroz e de chá utilizando as peças originais, que modelam e simbolizam as benfeitorias que os japoneses e seus descendentes teriam proporcionado para a região.

Os praticantes de esportes costumam conhecer o Centro Esportivo Governador Mário Covas, um conjunto formado por pista de atletismo, campo de futebol e ginásio poliesportivo com capacidade para cinco mil pessoas. Sedia eventos esportivos regionais, estaduais e a Exposição de Orquídeas. Outro espaço conhecido é o Estádio Municipal Brigadeiro do Ar Alberto Bertelli, campo de futebol que sedia competições municipais e regionais. O nome é uma homenagem a um dos maiores aviadores acrobatas civis do Brasil. Alberto Bertelli recebeu vários prêmios como piloto do interior e em competições de acrobacia e de corridas aéreas, caça aos balonetes e lançamentos de mensagens. Residiu em Registro por quase três décadas.

Entre as principais igrejas católicas estão a Matriz de São Francisco Xavier, inaugurada em 11 de maio de 1933 (São Francisco Xavier foi um missionário espanhol que realizou missões na Ásia, é Patrono dos missionários e padroeiro da cidade de Registro e da Diocese de Registro) e a de Nossa Senhora de Fátima. O município pertence à Diocese de Registro, área que corresponde a uma subdivisão territorial de 13.400 km² de área no Estado de São Paulo.